Monday, May 07, 2007

Sobre a Rebeldia

Então no final de semana o presidente Lula recebeu no Palácio do Planalto a banda (?!) mexicana Rebeldes. Churrasquinho, jogo de futebol, tudo como manda o manual de recepção do atual governo tupiniquim. E, claro, não podia faltar a doação de uma guitarra da banda (!?) para o programa Fome Zero, a menina dos olhos do presidente, com direito a foto posada de Lula empunhando o instrumento (sem duplo sentido, por favor) e com cara de mau.

Aqui não está em pauta ser de direita ou de esquerda, nem análise musical, que não sou chegado a covardia. A ocasião é carregada de um simbolismo enorme pela presença da banda (repita-se a interrogação e exclamação quantas vezes forem necessárias). Fica uma pergunta no ar: são esses os rebeldes de hoje? Um bando de jovens cuidadosamente vestidos pela produção e o departamento de marketing de uma novela, com movimentos calculados e atitudes previsíveis, se abraçando com governantes? Os punks britânicos da década de 70 com o inconformismo e seus xingamentos à rainha em TV aberta, os artistas que brigaram contra a Guerra do Vietnã nos anos 60 e toda a resistência ao regime militar no Brasil devem estar se envergonhando de uma geração como essa.

A rebeldia foi banalizada, ou o que é pior, virou produto de marketing. É vendida num grupo internacional, no discurso da banda da molecada (aê, Chorão), na loja da esquina, como um souvenir. Talvez seja só saudosismo barato e incoerente chegando cedo demais, mas não param de ecoar na mente as palavras do profeta (quem diria) Humberto Gessinger: A juventude é uma banda, numa propaganda de refrigerantes.

Labels:

0 Comments:

Post a Comment

<< Home